sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O que se aprende

Um amigo me questionou como o Igor aprenderia sem a sistematização das matérias, segregadas em português, matemática, ciências etc. Acho que já escrevi sobre isso aqui, sobre como considero esse tipo de compartimentação (sei lá se existe essa palavra…) artificial e pouco útil, mas não custa exemplificar.
Ontem levei ao correio uma carta do Igor para um amigo no Brasil. Nesta carta ele contava sobre termos conhecido as ilhas Norte e Sul da Nova Zelândia e sobre a diferença de fuso, além de passar nosso novo endereço.

No verso da carta ele desenhou um mapa da Nova Zelândia, localizou as cidades que visitamos com pontos e traçou os trajetos realizados (identificando até os trajetos aéreos). Para cada cidade escolheu um ícone representativo. Para Auckland desenhou a Sky Tower, para Lake Tekapo, um lago, por exemplo. Se pudéssemos dividir os conhecimentos necessários para o Igor ter escrito a carta, provavelmente seriam Português, Inlgês, Matemática, Geografia, Cartografia e Artes. Mas, convenhamos: o produto é muito mais interessante e bonito que esse monte de matérias listado.
Eu penso que resumir o conhecimento de alguém ao tanto que ela sabe em cada uma das "matérias" é reduzir a essa pessoa a muito pouco. Tenho certeza de que a cada dia o Igor ganha mais e mais experiência, mais e mais conhecimento. Não posso ficar fazendo listinha do que ele já sabe, ou fazendo testes para comprovar o que ele sabe. Esse conhecimento todo aparece quando ele precisa dele.
Fim de semana passado fizemos mais um passeio bacaninha. Fomos ver o Cable Car, aqui em Wellington. Sério: eu preciso aprender com os kiwis como eles transformam um trenzinho pituquito, com um trajeto minúsculo, em uma grande atração… hehehehe
Aguardando o Cable Car na estação.
E o Cable Carzinho chegou! :) Tá bom, é legal o lance de ele ser inclinado!
Ok, ok, ao final do trajeto tem um grande jardim botânico, um museuzinho contando a história do Cable Car, um playground bacanudo (como sempre!) para as crianças e o Carter Observartory.


No Carter Observatory há um montão de informações e também assistimos a um filme sobre os astrônomos. O filme tem 30 minutos, mas o Igor gostou um monte. E sabe a parte que ele mais gostou? Quando havia uma explicação sobre os diferentes tipos de ondas encontrados no universo, como a de rádio até a de raios Gama. Fiquei surpresa, porque para mim isso é tão incrível como o Coelho da Páscoa, mas para ele foi o mais interessante… :) Então como seria possível depois propor um teste ou um questionário, onde ele pudesse explicar o que aprendeu se eu não fizesse uma pergunta sobre esse item específico? Eu não conseguiria chegar onde ele chegou.
Então é melhor largar a mão de ser tão arrogante e de determinar o que é ou não é importante para alguém aprender, certo? Tô aprendendo a valorizar o que os meus meninos sabem e, em contrapartida, estou aprendendo a dar valor ao que eu sei. :D
Aprendi que quanto mais divertido, mais eu aprendo. Adorei brincar com os meninos na mini-espaçonave.
Aprendi a dar valor ao trabalho alheio. A reconstrução de um outro Cable Car, de 1900 e lá vai pirueta, ficou perfeita! 
Aprendi que adulto fica tonto mais rápido que criança… hehehehe

3 comentários:

  1. Muito legal que sempre tem um espaço para crianças. Parece que são bem-vindas em qualquer lugar :)
    Vi a foto na qual vc está amamentando a Anna e fiquei curiosa: qual é a visão deles sobre a amamentação? Tem olhares tortos, as pessoas evitam olhar, ou é natural?

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    1. Olha, Lia, isso foi o que mais gostei daqui! As crianças parecem ser sempre bem-vindas nos lugares públicos. Nos privados, nem sempre! :/ Quanto à amamentação, sabe que eu não sei qual é a visão dos kiwis? Ninguém nunca me olhou torto nem nada… E uma vez eu lembro de estar amamentando e um rapaz falar comigo normalmente. No Brasil eu percebia que a pessoa ou não se aproximava ou evitava olhar pra mim (isso até com amigos…). Vou procurar reparar mais, aí eu te falo! :D

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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