quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Primavera chegou

Aqui na Nova Zelândia, se considera o início das estações no primeiro dia do mês a elas relacionado. Assim, ontem, dia 1.º de setembro, foi o início da primavera para os kiwis e também para o Igor. A adolescência chegou por aqui!
Logo de manhã, ele recebeu os parabéns da enfermeira em nome de todos os funcionários da ala em que ele está, com direito a presente, cartão e cartaz na parede!
O uniforme ficou grande, mas se o Igor continuar crescendo nessa mesma velocidade, logo, logo poderá usá-lo.
Depois chegaram visitas! Eu levei os bolos e os irmãos (risos, ficou parecendo que são coisinhas...), a Thaís e sua família levaram mais presentes e cartões e, claro, pique para brincar de bexiga num quarto de hospital.
Depois de receber os parabéns também por vídeos e conversas no Skype (já falei que eu amo a internet?), fomos ao Domain Park cantar parabéns. Isso se deu, principalmente, por três motivos:
1) Fazia 14 dias que o Igor não saía do hospital (desde que chegamos);
2) De chuvoso, o dia passou a ensolarado e muito convidativo para uma caminhada;
3) Corríamos o risco de tomarmos um banho se o alarme de incêndio soasse por causa da fumaça das velas acesas no quarto...
Foi gostoso brincar ao ar livre, rodeada de pessoa que amo... :)
Ao voltarmos ao quarto, o Igor recebeu ainda mais visitas e mais presentes!
E para fechar com chave de ouro, eu e o Igor ceamos comida japonesa, que ele adora.
Foi um dia feliz, apesar do ambiente, porque todos estavam focados no aniversariante, como deve ser, e não em doenças ou tratamentos...
E, claro, a paisagem das redondezas ajuda...
Apesar de ontem ficar, por assim dizer, mais evidente a preocupação da equipe do hospital com o bem-estar do Igor, é notável a diferença entre o lado humano hospitalar daqui com o do Brasil. Por conta da característica física do Igor, já passamos por internações em diferentes hospitais em São Paulo: públicos e particulares, de ponta e atrasados. E, independentemente da parte estrutural, como o edifício ou equipamentos, o lado humano sempre me deixou a desejar... É claro que tivemos o prazer de nos deparar com enfermeiros, médicos e demais profissionais maravilhosos, que nos olhavam nos olhos e nos chamavam pelo nome (pelo menos, né?), mas também tivemos muitos encontros desgastantes, em que médicos acreditavam estar em pedestais e enfermeiros que pareciam não querer estar ali.
Aqui, entretanto, em 15 dias, não nos deparamos com um funcionário num mau dia. E é muito triste pensar que o Brasil, tão grande e rico, ainda esteja longe de alcançar nível semelhante. Não por falta de recursos ou conhecimentos, eu creio, mas mais por causa da nossa cultura, de que quem possui um pouco mais de conhecimento se sente ou se acha no direito de se sentir melhor que alguém. E daí que aqueles que acham que não têm conhecimento, colocam aquele que sabe num patamar diferenciado, como se o conhecimento não pudesse ser alcançado ou aprendido ou relativizado.
Aqui, todas as minhas perguntas são respondidas integralmente, sem acharem que não tenho capacidade de entender ou não devo me intrometer em "assuntos médicos". Pelo contrário, somos questionados se concordamos com todos os procedimentos, depois de nos explicarem como e para quê. É a humanização em sua forma prática. Muito lindo ver que é possível!
Outro ponto positivo é a forma como eles tratam o paciente, mesmo sendo criança (ou adolescente! hê!). Todos se dirigem ao Igor primeiramente, perguntam-no como está se sentindo, reforçam que ele não deve se sentir desanimado, sugerem formas de ele se distrair (inclusive a nossa voltinha ao Domain Park foi indicação médica!), explicam todos os procedimentos e passos do tratamento.
E ontem vieram dois estudantes analisar o caso do Igor e achei muito significativo quando a médica supervisora corrigiu o aluno que se dirigiu a mim como "mãe":
-- O nome da mãe do Igor é Penelope.
Cada dia mais eu acredito no ser humano e no que somos capazes com tão pouco... E vejo o Brasil correndo atrás. Sim, está começando a primavera de novos tempos! Certeza. :)

5 comentários:

  1. Tem notícia do Jorge? Não o vi na foto.

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    1. Ele estava atrás da máquina, tirando a foto... :D

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  2. Ai Pê, estou aqui com meus olhos marejados de felicidades por vocês e por compartilhar conosco esta experiência!
    Mais um giro em torno do Sol para o Igor! Felicidades sempre!
    Feliz ano novo querido Igor!
    Abreijos nossos <3

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  3. Oi Pê, espero sinceramente que ele se recupere o mais rápido possível. Ele estará em minhas orações. Adoro o seu blog, a forma que você escreve.

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  4. Ai, Pê, que vergonha. Faz um mês que você postou, que eu li e não comentei. Fiquei muito feliz por saber que o Igor está sendo tratado como o humano que ele é. E agora, como estão as coisas?

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